Aos 73 anos, Milton Hatoum é um dos maiores nomes da literatura nacional contemporânea. No final de abril, o romancista, contista, ensaísta, tradutor e professor universitário tomou posse como imortal da Academia Brasileira de Letras, assumindo a cadeira 6.
Em sua literatura, Hatoum pensa a casa, a identidade e a família como coisas que se espraiam no espaço geográfico, prontos para se tornarem metáforas das ruínas e da passagem do tempo. Se, em seus romances, seus personagens tentam reconstruir os cacos do passado, Milton Hatoum também escreve ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros.
Agora imortal, o escritor eterniza com ele a cidade, o rio e todas as metáforas das ruínas e da passagem do tempo.
Nascido em Manaus, Hatoum estreou no romance em 1988, com Relato de um certo Oriente, já ganhando o Prêmio Jabuti de Melhor Romance. Outra obra que chama a atenção é Dois irmãos, que ganhou adaptações para a televisão e quadrinhos.
Mas Hatoum tem uma obra vasta, publicada em 17 países, carregada de críticas e história. Para quem quer conhecer seus livros e não sabe por onde começar, aqui citamos alguns dos seus títulos mais marcantes.
Relato de um certo Oriente
Começando pelo primeiro romance publicado, Relato de um certo Oriente é ambientado entre o Oriente e o Amazonas. Dessa conexão, Hatoum busca um mundo perdido, que se reconstrói nas falas alternadas das personagens, ecos longínquos da tradição oral dos narradores orientais.


Dois irmãos
O também premiado Dois irmãos, de 2000, traz a história de dois irmãos gêmeos – Yaqub e Omar – e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Inclusive é esse menino, o filho da empregada, que narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado.
Foi considerado o melhor romance brasileiro no período 1990-2005 em pesquisa feita pelos jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas, e ganhou adaptações para televisão e quadrinhos.
Cinzas do norte
Em Cinzas do Norte, Hatoum aprofunda o projeto narrativo de Relato de um certo Oriente e Dois irmãos. Nessa obra, ele amplia o foco além do mundo familiar para escrever a “história moral” de sua geração.



A Cidade Ilhada
Nesses breves contos de A cidade ilhada, os personagens protagonizam um vaivém vertiginoso, vivido ou apenas imaginado, entre Paris e Bangkok, Barcelona e Berkeley. A obra inclui o conto “O adeus do comandante”, que inspirou o filme O rio do desejo.
Nesse romance, Hatoum traz figuras admiráveis, como Armintyo e Dinaura, Florita e Estiliano, em um ambiente marcado pelo final do ciclo seringueiro da Amazônia.
O lugar mais sombrio
No ano passado, o romancista encerrou a trilogia O Lugar Mais Sombrio, na qual dramas familiares se entrelaçam à história da ditadura militar. Juntos, A noite da espera, Pontos de fuga e Dança de enganos nos fazem a pergunta-chave de toda ficção que remonta o passado: a memória, afinal, escolhe o que ela esquece?





