A Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) anunciou, no começo de fevereiro deste ano, a poeta Orides Fontela (1940-1998) como autora homenageada na 24ª edição. O evento literário será realizado entre 22 e 26 de julho de 2026.
Autora premiada, suas obras contemplam o Modernismo, sendo uma das pioneiras na poesia contemporânea nacional. Sua obra, marcada pela concisão extrema e pela densidade de sentido, foi amplamente reconhecida por críticos e intelectuais como Antonio Candido, Davi Arrigucci Jr., Marilena Chaui entre outros nomes.
Mas se você ainda não conhece os textos da poeta, há sempre uma nova chance para aprender e apreciar as joias da literatura nacional. Dito isso, entre março e abril deste ano, os cinco livros publicados em vida pela poeta — hoje raridades mesmo em sebos — ganharão novas edições pela Editora Hedra: Transposição (1969), Helianto (1973), Alba (1983), Rosácea (1986) e Teia (1996), títulos que lhe renderam prêmios como o Jabuti e o da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).
As novas edições estão em pré-venda no site da Hedra, na Amazon, além das livrarias online, e começam a chegar às lojas físicas a partir do próximo dia 10.
Leia mais:
- Moeda de literatura: Game house transforma tempo de jogo em leitura
- Prêmio Kindle de Literatura anuncia Jadna Alana como vencedora da 10ª edição
Edições especiais
Organizadas por Ieda Lebensztayn, as edições contarão com textos críticos clássicos — de autores como Antonio Candido, Alcides Villaça, Augusto Massi, Ivan Marques, Marilena Chaui — e textos inéditos, encomendados a pesquisadoras — como Viviana Bosi, Nathaly Ferreira e Patrícia Lavelle, ampliando o panorama crítico sobre a obra. As orelhas serão assinadas por Marilena Chaui, Marília Garcia, Veronica Stigger, Edimilson de Almeida Pereira e Fabio Weintraub.
Na sequência dos relançamentos, a Hedra prevê ainda, entre abril e julho, a publicação de O enigma Orides: uma biografia, de Gustavo de Castro (em pré-venda), além de um livro infantil organizado por Augusto Massi, com ilustrações de Cynthia Cruttenden, e uma reunião das entrevistas concedidas pela poeta, acompanhada de um apêndice com depoimentos e textos críticos escritos por ela. E para 2027 a editora também planeja um volume com a obra completa, incluindo inéditos esparsos.
“Raramente um poeta brasileiro contou tanto com o reconhecimento imediato da crítica literária. Mas isso nunca lhe garantiu público ou até mesmo um reconhecimento maior. Coube às editoras por onde passou o cuidado com a persona da poeta, que sempre esteve na iminência de ser reconhecida. Por isso a importância das novas edições, que apresentam não só seus livros, tal qual foram publicados, mas também a fortuna crítica produzida ao longo das últimas décadas”, explica o editor da Hedra, Jorge Sallum.
Sobre Orides Fontela
Nascida em São João da Boa Vista (SP) em 1940, Orides mudou-se para a capital em 1967 para cursar filosofia na USP (Universidade de São Paulo). Ali, encontrou apoio decisivo de professores, críticos e editores. Em oposição ao confessionalismo de parte de sua geração, buscou uma escrita de lucidez radical e despojamento, voltada a temas como o ser, o nada, o tempo e o sagrado.
Sua personalidade artística foi frequentemente descrita como a de uma “aristocrata selvagem”, síntese do contraste entre a inteligência refinada e uma existência marcada por precariedade material. Apesar de uma vida árdua, Orides manteve uma postura intransigente em relação ao fazer poético, recusando-se a permitir que sua escrita fosse contaminada por aquilo que chamava de “mesquinharia do cotidiano”.
Orides Fontela morreu em 1998, aos 58 anos, vítima de tuberculose, em um sanatório de Campos do Jordão (SP).
Comprando pelo link, você ajuda o LiterAll sem pagar nada a mais por isso.
*Com informações da assessoria de imprensa da Editora Hedra



