Chef de renomado restaurante de Paraty lança Paratyanas – crônicas escritas ao pé do fogão

Manu Zambon
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Foto: Divulgação

Entre o perfume da lenha queimando e o tilintar das panelas que parecem guardar histórias antigas, Paraty emerge em Paratyanas – crônicas escritas ao pé do fogão não apenas como pano de fundo, mas como matéria viva da narrativa. No livro, escrito pela chef Ana Bueno e publicado pela Dialeto Documentários, comida e memória caminham juntas.

Na obra, lançada no início de maio, Ana explora a gastronomia como gesto de afeto, enquanto o cotidiano do vilarejo ganha textura, aroma e permanência. As crônicas costuram experiências pessoais, culturais e gastronômicas, sempre atravessadas pela dimensão coletiva da vida na cidade histórica.

Ana é proprietária do restaurante Banana da Terra, nome fundamental para a valorização da culinária caiçara e regional de Paraty nas últimas três décadas. Mais do que consolidar uma trajetória na cozinha, Ana esteve à frente de iniciativas que impactaram diretamente a cadeia gastronômica local. Entre elas, a Folia Gastronômica, liderada por quinze anos, a Escola de Comer — projeto que transformou a merenda escolar — e o Mulheres da Costeira, voltado à formação de empreendedoras da região.

Fortemente enraizado nas paisagens, o livro combina relatos, imagens e crônicas atravessadas por certo realismo mágico, revelando uma cidade íntima, construída pelas vozes de quem a habita. Ana recolhe histórias, escuta personagens e traduz em literatura conhecimentos ancestrais ameaçados pela passagem do tempo.

Personagens

O resultado é um retrato sensível da identidade cultural de Paraty, preservada nas pequenas práticas do cotidiano. Participam da obra mais de 300 personagens ligados à cultura viva da cidade. Entre eles está Angeli dos Temperos, mulher de presença marcante, conhecida pelos aromas que espalha pelas ruas do vilarejo.

Tem também seu Pindoca, tradicional farinheiro que resistiu ao avanço industrial para manter vivos os modos ancestrais de produção.

Com histórias assim, Paratyanas transforma a cozinha em território de memória, convivência e resistência. Ana mostra que cozinhar também é um modo de preservar histórias e fortalecer a cultura.

Ficha técnica

Paratyanas – crônicas escritas ao pé do fogão – Ana Bueno

Editora: Dialeto Documentários 

Páginas: 284   
  
Onde encontrar: Dialeto 

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