Eliana Alves Cruz vence prêmio literário da ABL como “livro do ano”

Manu Zambon
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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A ABL (Academia Brasileira de Letras) divulgou no último dia 12 de junho os nomes dos vencedores de seus novos prêmios literários para melhores obras publicadas no Brasil em 2025. Foram criadas três categorias: ficção, poesia e humanidades.

O Prêmio Guimarães Rosa é destinado ao livro do ano, na categoria Ficção. Eliana Alves Cruz foi a vencedora dessa primeira edição com o livro Meridiana, lançado em 2025.

Na sequência, o Prêmio Manuel Bandeira destaca o livro do ano, na categoria Poesia. O vencedor foi Fabrício Oliveira pela obra Noite obscena.

Por fim, o Prêmio Euclides da Cunha, que indica o livro do ano, na categoria Humanidades. Com a obra Na ponta língua, o vencedor foi Caetano Galindo.

Os prêmios serão entregues no dia 23 de julho, na cerimônia de comemoração dos 129 anos da ABL.

Eliana Alves Cruz – MERIDIANA

Segundo a ABL, a comissão julgadora considerou o livro de Eliana Alves Cruz uma odisseia, ou anti-odisseia, de uma família negra, um romance de grande intensidade emocional, numa trama muito bem urdida, que divide polos ao pôr em trânsito os conflitos advindos de uma mudança da favela para um condomínio de classe média.

Trata-se, portanto, de uma história de busca de inserção que expõe um quadro social complexo com suas adversidades cotidianas que levantam novas questões de um repertório já secular, mas que fecha acenando para as boas novas que o futuro terá para contar.

Eliana nasceu no Rio de Janeiro em 1966. É formada em comunicação social pela Faculdade da Cidade e tem pós-graduação em comunicação empresarial na Cândido.

Publicou seu primeiro romance, Água de Barrela, em 2016, contando a história da jornada da sua família desde o século XIX, quando saíram da África. Ela possui ascendência beninense, nigeriana, marfinense, serra leonina, ugandense, gambiana e norte-africana. Foi a vencedora da primeira edição do Prêmio Literário Oliveira Silveira, oferecido pela Fundação Cultural Palmares. Meridiana é o seu quinto livro. Em 2022, ganhou o prêmio Jabuti com A Vestida: Contos.

Fabrício Oliveira  – NOITE OBSCENA 

Na justificativa para a escolha de Fabrício, Antonio Carlos Secchin explicou que se trata da quarta obra de um jovem poeta, cuja produção mereceu elogios de escritores como Alfredo Bosi e Ferreira Gullar, destacou a consistência qualitativa mantida ao longo do livro, evidenciando um seguro domínio técnico do poeta.

Fabricio Oliveira, 30 anos, da cidade de São Estevão no Recôncavo Baiano, começou a estudar para fugir do trabalho na roça com a avó. Fabrício já venceu o Prêmio Nacional Moutonée de Poesia, em 2022 e o Prêmio Nacional de Campos do Jordão, em 2023 e recentemente participou de uma antologia Brasil-Alemanha no livro “Hoje sou um horizonte/ Heuteich bin einhorizon”.

Ele explica que “Noite Obscena” nasceu do encontro entre a palavra e aquilo que muitas vezes tentamos esconder. “Neste livro, reúno poemas que atravessam a noite não apenas como cenário, mas como estado de espírito: um lugar onde desejos, memórias, ausências e inquietações ganham voz.”

Caetano Galindo – NA PONTA DA LÍNGUA

A comissão para livros de ficção justificou a escolha de Na Ponta da Língua porque, entre outras coisas, é um livro que enaltece a nossa língua de uma forma culta, mas ao mesmo tempo muito acessível. E na avaliação da comissão, dar uma amplitude a um livro desse vai fazer com que mais pessoas apreciem o vernáculo e compreendam a sua beleza.

Caetano Waldrigues Galindo nasceu em Curitiba em 1973. É escritor, tradutor e professor. É graduado em Letras (francês)  pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde também concluiu seu mestrado , e doutor em linguística pela Universidade de São Paulo. É professor de história da língua portuguesa na Universidade Federal do Paraná. Traduziu para o português brasileiro obras de autores como Thomas Pynchon, David Foster Wallace, Charles Darwin, J. D. Salinger e James Joyce.

Seu primeiro livro de Contos, Ensaio sobre o entendimento humano, venceu o Prêmio Paraná de Literatura de 2013. Em 2016, publicou uma das mais importantes obras sobre Ulysses, o guia, Sim, eu digo sim: uma visita guiada ao Ulysses de James Joyce. O guia, ao melhor estilo professoral de Galindo, nos leva a entender e esmiuçar detalhes e miudezas que passaram ou não desapercebidas aos olhos de leitores que se aventuraram nas páginas do romancista irlandês.

Em 2023, publicou “Latim em pó: Um passeio pela formação do nosso português”, com o intuito de expor o trajeto de formação da língua portuguesa e instigar o leitor a se questionar sobre o idioma que utiliza no dia a dia.

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